quinta-feira, 18 de maio de 2017

ABUSO DE PODER E ABUSO SEXUAL CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE

O Abuso Sexual se disfarça de carinho




Vivemos num país onde as pessoas se relacionam com o poder quase que de maneira infantil e irracional. Os números da violência em todas as suas formas estão aí para todos ver. Somos corruptos, violentos e desiguais na distribuição de riqueza: tudo fruto de como nos relacionamos em sociedade e com o poder que nos é dado. A relação entre violência e poder está clara para Focault (1976) citado por ROMERO (2007, p. 20) “a violência caracteriza-se por uma relação de forças desiguais, configurando assim uma relação de poder onde o mais forte subjuga, explora e domina o mais fraco.”

Combater o Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes é combater o abuso de poder presente inclusive nas instituições da chamada Rede de Proteção aos Direitos de Criança e Adolescente. Não conseguiremos a paz segurando um fuzil em direção a possíveis inimigos e fantasmas que nos assombram. Precisamos combater a violência com uma outra forma de vivermos o poder no nosso dia-a-dia: um poder que promove o próximo, que agrega as pessoas. A Rede de Proteção precisa funcionar através de um modelo de relações de poder horizontalizado, preservando na esfera institucional e não na rede o poder investigativo, fiscalizatório e punitivo de alguns de seus membros: Conselho Tutelar, Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário. As “violências” cometidas contra a rede fortalece o abusador de crianças e adolescentes.

O Abuso Sexual de crianças e adolescentes depois de ter acontecido, infelizmente, precisa ser denunciado: disque 100, 181 (no caso do Paraná) ou procurem o Conselho Tutelar, equipamentos públicos de educação e saúde (eles são obrigados a fazer a notificação de suspeitas de abuso sexual e outras violências).

Os conselheiros tutelares atenderam por todo Brasil 3468 fatos de abuso sexual contra criança e adolescente em 2016 (www.sipia.gov.br). Na realidade este número seria muito maior se eles registrassem todos os fatos no Sistema Sipia. Sem esquecer que muitos abusos sexuais são denunciados por outros canais e nem passam pelo conselho, ou, pior ainda, muitos abusos se quer são denunciados. Segundo matéria publicada no site R7 no ano de 2014 aconteceu 26 mil denúncias de abuso sexual no Brasil através do disque 100. Acredito que no Brasil todos os anos 100 mil crianças e adolescentes são abusados sexualmente, basta somarmos todos os canais de denúncia e colocar uma margem de erro para o silêncio dos fatos que não vem a público. É MUITO, CHEGA!!!

Volto a enfatizar o abuso de poder como principal causa do abuso sexual de crianças e adolescentes. Ele se manifesta em diferentes valores e simbologias da cultura brasileira: o machismo é um deles. A mulher e a criança como objeto do homem: o “TODO PODEROSO PREDADOR!”. A maioria esmagadora dos abusos sexuais são cometidos por homens. Precisamos trabalhar uma nova concepção de homem para as famílias e a sociedade brasileira.

Como os meninos se relacionam com as meninas importa muito. Assim como se relacionam com a necessidade “cultural” de demonstrar poder. Estes são temas que deveriam ser abordados nas escolas, CRAS e CREAS para o fortalecimento das famílias e combate ao abuso sexual. Fico triste com a baixa presença de homens nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos executados no CRAS, assim como nas reuniões na escola sobre os seus filhos. O Desafio das políticas públicas é chegarem nos homens.

link da campanha Paraná contra a Exploração Sexual da SEDS:

SITES CONSULTADOS

http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/caopca/vitimas_de_abuso.pdf
www.sipia.gov.br